28
outubro
2010
14:03

Antes de Mudar é Preciso Melhorar

Antonio Goulart*

Desde o dia 16 de outubro, a São Paulo Transportes (SPTrans) colocou em vigor mudanças nas linhas de ônibus da zona sul da capital. Itinerários que partiam dos bairros e seguiam para o centro da cidade foram extintos para dar lugar a veículos que sairão dos bairros e deixarão os passageiros em terminais da região como o Terminal Varginha e o Grajaú.

A alegação dada é a de que o transito nos principais corredores da cidade diminuirá por conta da ausência desses micro-ônibus que saiam dos bairros em direção ao centro da cidade. Porém, de acordo com Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (DETRAN), a frota atual da cidade é de quase 7 milhões de veículos. Desses, de acordo com a SPTrans, apenas 15 mil são ônibus públicos. Fazendo um cálculo simples veremos que a frota de transporte público corresponde a 0,22% do total da cidade, ou seja, não são os ônibus que comprometem as vias. 

Uma medida como essa, na região mais populosa da cidade, que abriga mais de 2 milhões de pessoas, causam inúmeros transtornos. Pelo fato do ônibus ser um dos poucos meios de locomoção da população, todos os dias vários munícipes acordam de madrugada para garantir que chegarão a tempo em seu local de trabalho. Desse modo, eles terão que levantar ainda mais cedo para fazer uma viagem mais longa que a anterior e perderão muito tempo com isso. 

Além disso, a baldeação prejudica um dos principais benefícios: o Bilhete Único, que garante até quatro viagens no período de 3h para bilhetes comuns e de 2h para os cartões de estudantes e vales transporte dados pelas empresas a seus colaboradores. O tempo gasto nos terminais esperando por um ônibus pode comprometer tal integração e no final do mês, o dinheiro gasto a mais pode fazer falta no bolso do trabalhador.

No entanto, quero ressaltar que essas medidas, adotadas pela SPTrans, seriam muito benéficas caso fossem aplicadas em outras circunstâncias. Se o sistema de transporte da capital fosse otimizado, com a criação de mais corredores e terminais de ônibus, além de uma política de incentivo ao uso do transporte coletivos ele teria sucesso. Mas, como a demanda por coletivos é saturada, os munícipes optarão pelos carros e o transito ficará ainda pior.

A decisão já foi tomada pela Prefeitura e já está em vigor, mas, enquanto representante do povo é meu dever me posicionar sobre a situação. Sou a favor de uma reconsideração e uma análise mais aprofundada dos prós e contras das medidas adotadas.

 * Antonio Goulart – Lançado à vida política, o Vereador Goulart obteve seu primeiro mandato em 1996, com 23.336 votos e, na última eleição municipal, reelegeu-se pela quarta vez consecutiva com 90.054 votos de confiança da população paulistana.

Goulart vem se destacando como um dos membros mais atuantes da Câmara Municipal de São Paulo. Seu desempenho como vereador inclui a elaboração de projetos legislativos, participação em comissões técnicas permanentes e extraordinárias. Hoje, Goulart é membro da Comissão de Trânsito, Transporte, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia.

O Vereador tem 60 Leis sancionadas e quase 183 Projetos de Lei significativos que ainda se encontram em tramitação, distribuídos em todas as áreas (educação, saúde, meio ambiente, cidadania, esporte, cultura e lazer, turismo, transporte, higiene, sistema viário, limpeza pública, urbanismo etc).

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