08
outubro
2010
19:09

Cavalaria completa 118 anos sem parar no tempo

Em plena era digital, unidade ainda se faz necessária em grandes eventos, como jogos de futebol e shows, manifestações populares e operações em comunidades carentes
 

Vivendo em uma época onde as forças de segurança de todo o planeta usam satélites artificiais, investem vultosos recursos em tecnologia da informação, modernos computadores, câmeras inteligentes, viaturas velozes e armas com chip, existe uma unidade da Polícia Militar que parece resistir à força do tempo, provando ano após ano ser indispensável para a corporação. Empregado em grandes eventos, controle de tumultos e operações especiais, o Regimento de Cavalaria 9 de Julho acabou de completar 118 anos mantido sob um investimento anual do Governo do Estado de R$ 2,25 milhões, em média.

“Ela nunca deixa de estar atualizada. A Cavalaria é uma das grandes unidades da PM; entre as unidades do Choque é uma das que mais se destaca, pela sua eficiência e competência”, disse o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, presente na solenidade de aniversário, realizada na sede da Cavalaria, onde está sendo realizado, neste final de semana, o II Campeonato Brasileiro Militar de Hipismo.

Em shows e jogos de futebol, com dezenas de milhares de pessoas exaltadas, a tecnologia ainda não desenvolveu forma de policiamento mais eficiente. Por poder ir aonde uma viatura não vai e ver aquilo que quem está a pé ou de carro não enxerga, a Cavalaria, pelo simples fato de estar lá, inibe ações criminosas. Diante de multidões ensandecidas, o policiamento a cavalo se impõe. Montado, o policial militar ganha visibilidade e mobilidade. “O policiamento a cavalo é diferente daquele de uma viatura. Em um raio de 400 metros ao redor da patrulha, não ocorrem grandes delitos. Não costuma acontecer roubo nem furto por perto”, completa o 1º tenente Davi Freixo, chefe da Seção de Comunicação Social do Regimento.

A política de valorização da unidade também foi defendida pelo comandante geral da Polícia Militar, coronel Álvaro Batista Camilo. “A Cavalaria vai ser sempre necessária. Nela o homem fica com o corpo mais elevado para o policiamento, além de um trabalho social de equoterapia”.

Por essas razões, tropas de policiamento montado têm sido mantidas nas maiores metrópoles do mundo, como a Polícia Montada de Nova York. Em São Paulo, não é diferente: o Regimento de Cavalaria conta, hoje, com 650 policiais militares e 300 cavalos, que dispõem de 10 viaturas operacionais do tipo Blazer, oito viaturas orgânicas, quatro caminhões para o transporte de cavalos, duas Kombis, uma Land Rover, uma moto Falcon. Além da sede na Capital, a Cavalaria tem 13 Destacamentos Montados em cidades do interior.

Investimento
Entre 2007 e 2010, o Governo de São Paulo investiu R$ 8,9 milhões para suprir as demandas da unidade. Na última aquisição, R$ 180 mil foram gastos na compra de mais 50 cavalos para a tropa. A Cavalaria também recebe investimentos para a compra de equipamentos de policiamento montado – como selas, pelegos, mantas e capas de chuva -, assim como para a compra de capacetes de policiamento montado e de controle de distúrbios civis.

Cavalos
Todos os cavalos da Tropa Montada são da raça Brasileiro de Hipismo. São animais de porte grande, leveza e agilidade, além de dóceis e obedientes. A altura média desse tipo de cavalo é de 1,6 metros. Na Cavalaria, potros com altura inferior a 1,52 metros não entram – a medição é feita a partir da cernelha do animal. O peso médio dos cavalos da tropa é de 500 quilos.

Quando chega pela primeira vez ao quartel, com três ou quatro anos, o potro ainda é xucro e tem de passar por um processo de doma racional, que dura cerca de cinco meses. Essa é a idade certa para não prejudicar a coluna do animal. “O trabalho é feito todos os dias, pois o animal potro tem muita energia. Os mais inteligentes, em três meses, já estão prontos”, explica o tenente Freixo.

Operação Saturação
Um dos destaques da atuação do policiamento montado ocorre durante as edições da Operação Saturação por Tropas Especiais (Oste), que ocorrem em todo o Estado sempre que o comando da PM detecta a necessidade de intensificar o policiamento em determinada localidade, em razão do aumento da criminalidade. Com base no Sistema de Informações Criminais (Infocrim), o Comando Geral da PM determina a área de atuação das tropas montadas da Cavalaria e das demais unidades subordinadas ao Comando de Choque. A participação da Cavalaria nas Operações Saturação é estratégica.

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