19
setembro
2010
18:24

Na hora do rush em SP, espera por táxi pode chegar a 1 hora

Para taxistas, pior período é de manhã cedo e no fim da tarde.
Muitos optam por trabalhar durante a madrugada.

Do G1 SP

O taxista Carlos Antonio da Silva Pinto, de 41 anos, 16 deles dedicados ao táxi, não pensou duas vezes antes de optar por fazer da madrugada seu período de trabalho na cidade. “É a opção que fiz para ficar com a família”, conta. Um dos motivos, claro, foi fugir do trânsito caótico durante o dia.

“À noite, os clientes são mais alegres, estão saindo do happy hour. Não são estressados”, afirmou o taxista, na Vila Olímpia, bairro da Zona Sul cercado por bares e boates. “Eu fico por aqui, que é mais perto das baladas”, acrescentou o taxista, que disse trabalhar às sextas e sábados das 19h às 6h. Questionado se compensa trocar a noite pelo dia, respondeu: “Sim. Eu descanso, durmo bem, ando de bicicleta (nas horas vagas).”

Acostumado a rodar no bairro e na região, bastante abastecida ainda por escritórios, ele revelou que, em horário de rush, os clientes podem esperar muito por um carro. “A espera pode ser de uma hora. Mas é gente que espera o radiotáxi por ser mais seguro”, afirmou.

Diretor de Operações da Cooperativa União de Serviços dos Taxistas Autônomos de São Paulo (UseTaxi), Arnaldo Sanches contou que o período mais difícil de trabalho durante a semana ocorre entre 7h e 10h e 17h e 20h. “Coincide com o rodízio na cidade. São as horas de maior demanda. Tem vezes que o carro está a 500 metros do cliente e vai levar meia hora por causa do trânsito.”

Pedido encarecido
Na empresa de 22 anos, trabalham 450 carros. Sanches até brincou dizendo ser necessário pedir que os cooperados rodem nas horas de maior movimento. “Pedimos encarecidamente para todos trabalharem nos horários de pico. A gente até entende. É complicado trabalhar com o trânsito de São Paulo.”

No centro do problema, a obrigação de atender bem aos clientes. “Se houve esperas acima de uma hora? Sim, mas são casos pontuais. Em 70% dos casos, mesmo no horário de pico, tenho carro em 5 minutos”, garantiu Sanches.

O administrador de empresas Reinaldo Botelho, de 47 anos, contou ter sido vítima dos engarrafamentos. Ao chamar um táxi (pelo telefone) da Vila Olímpia para ir ao aeroporto de Congonhas (Zona Sul), se surpreendeu com a espera. “Esperei por 40 minutos. Quase perdi o voo”, lembrou ele.

Para o taxista Marco Antonio de Castro, de 54 anos, não tem choro nem conversa. Ele disse não abrir mão de trabalhar depois das 16h e só desligar o motor na porta de casa às 6h do dia seguinte. “Minha qualidade de vida aumentou 100%. À noite, não tem sol, o trânsito, os motoqueiros. As corridas são maiores.”

Castro ainda apontou outra vantagem para o bolso no serviço noturno. “Você gasta menos combustível, óleo, embreagem, pneu. A manutenção do carro é menor”, disse o taxista, na praça há 24 anos.

Turma da balada
Ex-motoboy, Valério da Silva, de 32 anos, só tem três meses de táxi em São Paulo. Foi tempo suficiente para optar por trabalhar à noite. De preferência, juntos aos bares, boates e restaurantes. “É ótimo. Pego o pessoal entrando e saindo da balada”, afirmou o rapaz, que começa às 16h e chega em casa por volta das 4h.

Silva disse ser melhor rodar pela Vila Olímpia, Itaim Bibi, Moema, Jardins e Avenida Paulista por causa dos clientes que gostam de esticar o happy hour. Além disso, quis fugir dos longos congestionamentos. “Mas domingo é folga”, brincou.

Com os olhos atentos ao primeiro chamado de um potencial cliente, José Carlos Francisco da Silva, de 39 anos, tem a sexta e o sábado como seus “melhores dias” na praça por causa dos festeiros. “Pego o pessoal no Jockey Club, na Vila Olímpia, na Vila Madalena. Na sexta, saio de casa meio-dia e só volto sábado às 7h, 8h”, revelou o taxista.

E o sono do dia é reparador? Não deu tempo de Silva responder. Após o aceno distante de um rapaz, ele interrompeu a conversa e seguiu para sua próxima corrida na noite de sexta-feira na capital.

Seu email nao sera divulgado.
Campos obrigatorios marcados com *