21
dezembro
2011
22:46

Para polícia, dono não enterrou cachorro no interior de SP

Após investigar o caso do cãozinho supostamente enterrado por 12 horas, a Polícia Civil de Novo Horizonte (399 km de SP) afirma que a hipótese mais provável é que a história seja diferente.

De acordo com o delegado Luiz Fernando Calmon Ribeiro, foram ouvidas diversas pessoas durante a investigação, e a suspeita de que o animal tenha sido enterrado ainda não se confirmou. O delegado, no entanto, ainda aguarda a conclusão de um laudo para encerrar o caso e encaminhar a investigação para a Justiça.

A história do salvamento do animal ganhou destaque há duas semanas, quando ele foi resgatado pelo vice-presidente da Associação Mão Amiga, Alexandre Rodrigues, após uma denúncia de maus-tratos.

De acordo com Marco Antônio Rodrigues, presidente da entidade, o suspeito alegou que o cão havia fugido. Em conversas, porém, vizinhos disseram suspeitar que o homem havia enterrado o filhote, pois já havia feito isso com outro cão.

O vira-lata de quatro meses, que recebeu o nome de Titã, só foi encontrado na manhã seguinte. O defensor de animais voltou à casa do suspeito, percebeu uma porção de terra remexida, e encontrou o bicho.

Convocado pela polícia, o aposentado Orlando Santos, 59, negou ter enterrado o cachorro. “Ele estava deitado lá dentro. Eu mexia, mexia com ele, e então falei: ‘está morto’. Peguei bastante galho de mandioca, quebrei e joguei em cima”, disse à TV Record.

No depoimento à polícia, o aposentado disse que está debilitado –teve câncer na garganta e tuberculose–, tem dificuldade para andar, e que por isso não dava tanta atenção ao filhote.

O cachorrinho estava quase sem pelos, desnutrido, e com ferimentos nos olhos. Ele foi levado para um clínica veterinária, onde passa por tratamento e já engordou mais de 1 kg.

O aposentado disse ainda que o cão costumava fazer buracos para aliviar a coceira causada pela sarna. Para Mauro Lantzman, veterinário especialista em comportamento animal, é improvável que a cão tenha se enterrado. “Cavar buraco, ainda vai, mas entrar e se enterrar, essa não cola”, disse.

Um perito do Instituto de Criminalística prepara um laudo sobre o caso. Ele esteve na casa do aposentado e mediu um buraco no local onde Titã foi achado. Comparado com o tamanho do filhote, é pouco provável que ele coubesse dentro. Ele também analisou o corpo do animal e não encontrou vestígios de terra nas vias respiratórias.

“Tudo leva a crer, por tudo que apuramos, que a verdade mais próxima é a do aposentado”, disse o delegado.

À Folha, Alexandre Rodrigues manteve a informação de que encontrou o cachorro enterrado. “Agora, há vários jeitos das pessoas considerarem o que é um enterramento. Eu achei ele enterrado, com terra em cima, numa quarta-feira de manhã. A perícia foi fazer a medida do buraco na segunda-feira seguinte, e choveu a semana inteira”.

Marco, presidente da ONG, disse que Titã se recupera bem e deve ter alta na semana que vem. Mas ele perdeu a visão do olho direito e ainda terá que passar por cirurgia, além de ter perdido quase todos os pelos por causa da sarna.

O futuro de Titã será definido na segunda-feira (26). Várias pessoas estão na fila para adotá-lo, mas ele deve acabar ficando com uma médica de Araçatuba (SP) que, segundo Marco, liga todos os dias buscando notícias do filhote.

“O importante é ele estar salvo. As doações recebidas pela ONG deram conta de sua recuperação e já ajudaram vários outros animais resgatados. Hoje mesmo pagamos a cirurgia de um vira-latas atropelado durante um racha.”

ANDRÉ MONTEIRO
DE SÃO PAULO
COLABOROU VANESSA CORREA

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