27
fevereiro
2011
10:16

Taxistas reclamam da falta de segurança na Zona Sul de SP

 

Táxi com retrovisor quebrado em dos 4 assaltos que taxista sofreu nos últimos 40 dias (Foto: Roberta Steganha/ G1)

 Um deles foi assaltado quatro vezes nos últimos 40 dias.
Governo diz que casos são isolados e que número de crimes está caindo
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Roberta Steganha
Do G1 SP

Taxistas que trabalham durante à noite na Zona Sul de São Paulo têm reclamado nos últimos dias da falta de segurança a qual se dizem expostos. Ricardo Reis, de 47 anos, é taxista há 15 anos e diz que está difícil trabalhar. Ele afirma que só nos últimos 40 dias foi assaltado quatro vezes. “Já fui assaltado no Campo Limpo, no Jardim Macedônia e também no Ladeirão do Morumbi. Em três dos casos, motoqueiros estavam passando e viram o carro parado deixando passageiro. O garupa já desceu armado e anunciou o assalto com agressividade.”

Como resposta aos frequentes assaltos, Reis conta que parou de trabalhar durante a madrugada. “Eu parei. Dá 23h, eu desligo meu aparelho e vou embora para a casa, porque eles acham que taxista tem que ter dinheiro no bolso e isso não é uma realidade”, conta.

E ele não está sozinho. O taxista há mais de dez anos Aloizio Costa da Silva, de 45 anos, que foi assaltado pela última vez na sexta-feira (11), no Grajaú, diz que depois do crime está evitando trabalhar na Zona Sul durante a noite. “Peguei um passageiro em Cumbica e ele me disse que ia para o Grajaú. Ele ia pagar em boleto, mas não o preencheu antes. Quando parei para deixar o passageiro na porta, um carro parou e dele desceram dois ladrões e anunciaram o assalto.”

Ainda segundo Silva, os ladrões entraram no carro e o mandaram dirigir. “O passageiro foi junto. Eles procuravam dinheiro e carteira. Revistaram o passageiro também. Fizeram a ‘limpa’ e depois mandaram parar numa rua e fugiram no carro que estava nos seguindo. Pelo menos não fomos agredidos.”

Um outro taxista, que não quer se identificar, também foi assaltado há cerca de mês e conta os momentos de tensão que viveu. “Foi na Zona Sul. Foi horrível. Eu peguei dois passageiros na rua na madrugada, um estava até de terno. Eles disseram que queriam ir para Rio Pequeno. Eu comecei a estranhar no caminho, porque perguntaram se o carro era meu e me mandaram ir para Taboão da Serra, perto da Régis Bittencourt e anunciaram o assalto.”

O taxista conta ainda que apanhou e foi obrigado a descer na rodovia, perto de Taboão da Serra. “Eles levaram meu carro. Liguei para a polícia e para a rádio-táxi onde trabalho e eles conseguiram localizar meu carro. Fui até o local com a polícia e o carro estava intacto, levaram só a chave e o retrovisor”, diz.

Taxista conta que já foi vítima de sequestro-relâmpago na Zona Sul de SP (Foto: Roberta Steganha/ G1)

Sequestro-relâmpago
Nicolau Ciorniavei, de 44 anos, taxista desde 2002, conta que já foi vítima de sequestro-relâmpago enquanto trabalhava.  “Foi perto do antigo Banco Santos, eu estava aguardando um passageiro e me pegaram. Mas está bem perigoso. O Ladeirão [do Morumbi], por exemplo, de fato está bem perigoso. Antes tinha polícia lá, agora não tem e os ladrões aproveitam”, diz.

Para Reis, os ladrões que assaltam taxistas querem pequenos objetos, para poder fugir rapidamente. “Eles querem celular, dinheiro, relógio, até os equipamentos de transmissão que a gente usa para trabalhar, eles acham que é GPS. Querem coisas rápidas para poder fugir. Não dá tempo de vasculhar o carro”, explica.

O taxista que não quer ser identificado também concorda. “Tem muito assalto na região Sul, porque eles acham que o poder aquisitivo na região é bom. E acham que taxista tem dinheiro na hora. Eles não pegam os boletos”, diz.

Para Silva, está difícil trabalhar à noite e ele diz que o motivo é a falta de policiamento. “Na Belmira Marin, onde passei, tinha posto policial, mas não tinha ninguém. Estou evitando corrida para a periferia da Zona Sul, especialmente a Avenida Teotônio Vilela, a Rua Belmira Marin e Parelheiros. Não é preconceito, é realidade. Tenho também amigos que estão”, diz o taxista.

Taxista há 16 anos, Carlos Alberto da Silva Lima, de 52 anos, reclama. “Eu já fui assaltado durante o dia na Ponte do Morumbi. No ano passado fui assaltado duas vezes; neste ano ainda não, Graças a Deus. Normalmente, são motoqueiros que chegam, batem a arma no vidro e levam você para onde querem”, conta.

Lima diz que alguns bairros são mais visados que outros. “Morumbi sempre foi visado. Tem também a Estrada do M´Boi Mirim e Estrada de Itapecerica da Serra. Mas na periferia fica pior. Tem motoqueiro que fica em posto de gasolina como olheiro”, afirma.

Para o presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, Natalício Bezerra Silva, de 72 anos e taxista há mais de 50 anos, a Zona Sul é a preferida dos ladrões. “Eles acham que é a região onde as pessoas mais têm dinheiro.”

Ainda segundo o presidente da entidade, já era difícil ser taxista por causa do trânsito e a criminalidade dificulta ainda mais. “O trânsito está horrível. E ainda tem que enfrentar ladrão. A criminalidade aumentou por inércia das autoridades”, afirma.

Falta de policiamento
Os taxistas atribuem o aumento da criminalidade na região do Morumbi à redução do contingente da Polícia Militar no bairro. No entanto, o comandante da 5ª Companhia da PM, capitão Ednaldo Soares Alexandre, refuta a afirmação. Ele diz que o número de bases na região continua o mesmo e que não tem informações de que este tipo de delito (contra taxistas) esteja ocorrendo na região. “Houve até uma redução no índice de criminalidade na região. O problema do Morumbi é a proximidade com a comunidade de Paraisópolis. Ainda existe um choque de desigualdade. São comuns pequenos roubos e furtos de jovens desarmados”, afirma.

Procurada, a assessoria de imprensa da Polícia Militar não indicou os responsáveis pelos demais bairros citados para falar sobre as reclamações dos taxistas.

Para a Secretaria da Segurança Pública, os casos citados são isolados, já que roubos e furtos estão em queda na capital. Em nota, a SSP informa que neste ano na cidade, em comparação a 2009, os roubos seguidos de morte caíram de 100 para 76 casos e os de veículos retrocederam 2,92%. Já os roubos em geral caíram de 118.484 em 2009 para 106.292 em 2010, de acordo com a pasta.

Ainda segundo a secretaria, os furtos em geral em 2010 tiveram queda de 3,04% em relação a 2009, com 5.371 casos a menos. O número de furtos de veículos em 2010 caiu 0,49%, com 212 casos a menos que o anotado no ano anterior, diz a SSP.

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